História
ESCREVENDO A HISTÓRIA
Por Dra. Domiciana Moreira de Melo Guerra
Reconstituir a história é tarefa de pesquisa, paciência e espírito de equipe. É também um trabalho de discernimento, de escolha entre os fatos obtidos, quais têm importância ou relevância para serem citados ou que influíram nos caminhos que a Colposcopia trilhou. Nossa história, até o momento, com alguns poucos documentos conseguidos, mostra a persistência, o interesse científico e a opção do estudo de seus associados, feita de dedicação e gosto, abrindo mão de outros valores. Na nossa percepção atual, é fato que tal espírito de pesquisa se mantém vivo nas pessoas que são parte deste grande grupo que é hoje a nossa Sociedade. Discussões e reuniões, congressos e simpósios têm plateia cativa e amiga em todo o território nacional. Nossa árvore, de tronco largo e forte, tem expandido seus ramos em muitas direções, desde a cérvice, na sua fisiologia e patologia, a correlação cito-histológica, a biópsia e a terapêutica sob visão colposcópica, o estudo da vagina e vulva, áreas ainda em investigação, e os estudos virais pela biologia molecular, que se tornaram, nas mãos do ginecologista, do urologista, do dermatologista, uma matéria dinâmica e complexa conhecida pelo nome de Genitoscopia.
De acordo com os Estatutos, nossa Sociedade foi fundada no dia 17 de maio de 1958, na cidade do Rio de Janeiro, com o nome de Sociedade Brasileira de Colposcopia. Sua história tem hiatos, que com o tempo, talvez possam ser preenchidos. Continuamos com as investigações.
O RELATO DE HINSELMANN
O Dr. Oswaldo Gesta (in memoriam), de Manaus, nos enviou uma História da Colposcopia, traduzida de um relato de Hinselmann, publicada na Femina em julho de 1991:
Em março de 1924, trabalhando na Clínica Ginecológica da Universidade de Bonn, fui chamado pelo Diretor Prof. von Franqué para escrever, em conjunto, um capítulo sobre câncer do útero. Coube-me a descrição da parte clínica. Pesquisando na biblioteca, pensava nos itens que deveria desenvolver: estatística, sintomas, diagnóstico, prognóstico, profilaxia, etiologia. Em relação ao diagnóstico, pensei: “talvez unicamente o diagnóstico precoce tenha algum interesse”. Imaginando o aspecto clínico do estado precoce, pensei naturalmente em um pequeno tumor ou em uma pequena úlcera. Não sabendo como descrever, voltei a falar com von Franqué, que tinha muita experiência, para ter algum esclarecimento. Este, por sua vez, surpreendeu-se com a pergunta e pediu que apresentasse o capítulo de maneira simples. Eu não aceitei, dizendo que só ficaria mesmo o diagnóstico precoce no sentido mencionado. “Pois então o senhor já tem um assunto em que pode se fixar”, respondeu von Franqué.
Escrevendo para patologistas amigos em Viena, Chemnitz e Nova York, para conseguir descrições e figuras, surpreendi-me novamente, pois estes anatomopatologistas experimentados não tinham estes dados. Tive então a ideia de combinar luz intensa com aumentos consideráveis para examinar o colo, o que deveria aumentar a segurança do diagnóstico. Tumores ou úlceras menores do que os até então observados deveriam ser reconhecíveis. Utilizei a lupa de von Eicken, com aumentos de 0,8; 1,1 e 1,8, observando que isto constituía vantagem. Escrevi então ao Dr. E. Leitz e à casa Zeiss, dizendo que queria um aparelho com aumento de 10 vezes, com distância de 12 cm (com a finalidade de examinar o colo sem tracioná-lo, levando em conta o comprimento médio da vagina de 9 cm). As duas firmas declararam que, com estas características, não poderia ser feito o aparelho. Insisti com o Dr. Leitz, dizendo que, no interesse do problema humanitário, providenciasse para que “fossem mudadas as leis da natureza”. Algumas semanas depois chegou uma proposta positiva.
O resultado, apesar de todas as imperfeições, foi tão surpreendente que então não se podia mais retroceder. Trabalhando e realizando biópsias, aprendi que o material coletado, quando de pequenas dimensões, deveria ser analisado com cortes seriados.
Imaginei então a palavra Colposcopia, derivada de kolpos, que significa vagina, e skipeo, que significa olhar com atenção, inspirado em Platão, que combinou os verbos horan e scopasti, que significam observar exatamente e digerir mentalmente com todo o cuidado.
E assim, ao longo dos anos, fui aperfeiçoando o colposcópio e aprendendo a observar as lesões. Em 1927 publiquei, pela primeira vez, a descrição das modificações que designei como lesões pré-cancerosas, escrevi um manual de colposcopia e disse que a colposcopia entra na ginecologia do futuro como um marco e nunca mais poderá desaparecer. Histologia, fisiologia e histologia funcional muito aproveitarão da colposcopia do futuro. Deve-se a pessoas de largo horizonte, como Arnaldo de Moraes e Clovis Salgado, que deram asilo ao método, que a colposcopia ainda exista, que tenha conseguido sobreviver à guerra e, ainda mais, ao pós-guerra, que ela tenha despertado para vida nova, possibilitando ao meu aluno, João Paulo Rieper, desenvolver-se na Clínica do Prof. Arnaldo de Moraes.Hans Hinselmann
A FUNDAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE COLPOSCOPIA
Com a ajuda de colegas dedicados à nossa Sociedade, como a Dra. Isa Maria de Mello, de Brasília, alguns números dos Anais Brasileiros de Ginecologia do ano de 1959 chegaram às nossas mãos. Lá, pudemos encontrar relatos interessantes.
Os Anais publicaram a Ata da 2ª Reunião da Sociedade Brasileira de Colposcopia, realizada em 13 de setembro de 1958. Nessa reunião, o Vice-Presidente, Prof. Dr. Arnaldo de Moraes, aprovou a Ata da 1ª Sessão Ordinária (realizada em 2 de agosto) e cumprimentou o Dr. J. Clauss, do serviço do Prof. Mestwerdt, que veio para um intercâmbio médico-científico. O Dr. João Paulo Rieper propôs que fosse organizada uma comissão para preparar um livro de Colposcopia. Os Drs. Mário Pardal, Alberto Rocha, Werner Soldan e João Paulo Rieper eram colaboradores certos, e o Prof. Clovis Salgado, Presidente da Sociedade, aprovou a Comissão.
Nesta reunião, foi apresentado o distintivo da Sociedade Brasileira de Colposcopia, desenhado pelo Sr. Rabong e aprovado unanimemente. O Dr. Orlando Baiocchi apresentou o industrial Décio Vasconcellos e seus colaboradores, construtores do novo colposcópio nacional. O Dr. Baiocchi fez uma palestra com o tema “O valor da documentação em colposcopia”, apresentando os princípios da colpofotografia, mostrando fotos tiradas com um modelo Zeiss e, em seguida, demonstrou o modelo nacional recém-fabricado, além de uma pinça de biópsia de sua autoria, rotativa, que utilizava uma frese com rotação a alta frequência, com cones de vários diâmetros. Obtinha-se um pólipo artificial que facilitava o diagnóstico histológico do carcinoma estádio 0 e do microcarcinoma. O Prof. Arnaldo de Moraes teceu considerações sobre o valor das realizações em favor do diagnóstico precoce do carcinoma do colo, servindo de exemplo essa colaboração da clínica com a indústria, encerrando a sessão.
Carta de Hans Hinselmann
Nesse período, chegou uma carta dirigida à Diretoria da Sociedade Brasileira de Colposcopia:
Meus caros amigos,
Felicito-os pela fundação da “Sociedade Brasileira de Colposcopia”. Estou convencido de que a evolução prática e científica da colposcopia será colocada, com isto, em trilhos firmes. A primeira sessão ordinária de 2 de agosto confirmou esta minha opinião, porque as questões então discutidas mostraram logo a importância da Sociedade. Com grande prazer gostaria de tomar parte na solução das perguntas levantadas. É para mim honra especial ter sido nomeado presidente honorário.
Agradeço tanto mais, como já fui alvo de honrarias da sua parte em outras ocasiões, ajudando-me no fortalecimento das ideias por mim defendidas, como ultimamente com a nomeação de Dr. Honoris causa e como Sócio Honorário da Academia de Medicina. Só posso repetir, o que já exprimi em 1949, que sempre podem considerar-me como um dos seus.Hans Hinselmann
Em julho de 1959, João Paulo Rieper escreveu, no vol. 48 dos Anais Brasileiros de Ginecologia:
O Prof. Hans Hinselmann faleceu subitamente no dia 18 de abril de 1959, de infarto do miocárdio. O grande morto está ligado à medicina brasileira, por vínculos particularmente fortes, tanto científicos como de amizade. Quando em 1949 foi convidado pelo Prof. Arnaldo de Moraes a visitar a Clínica Ginecológica sob sua direção, estava a Colposcopia numa fase crítica e ameaçada de desaparecer. A tempestade da segunda guerra mundial varreu este ramo da ciência ginecológica quase que totalmente do mundo, resistindo apenas, como núcleos mais importantes, a Suíça e o Brasil. Ódios políticos e falta de comunicação científica entre os diferentes países foram as causas deste desastre, agravado pela grande injustiça de o prenderem sob acusação de crimes contra a humanidade. Coisas de após-guerra. Vae victis! Nesta hora tenebrosa da Colposcopia, veio o convite do Brasil, o qual, segundo as palavras de Hinselmann, foi uma verdadeira libertação, como se um avião tivesse furado as nuvens “para alcançar o azul aberto do céu”! Estabeleceu-se então esta amizade entre o autor destas linhas e um grupo de ginecologistas brasileiros.
Perdemos um grande amigo, um esteio dos nossos trabalhos e uma figura de grande originalidade, tão rara no mundo de hoje, por seus elevados dotes morais. Rendemos a nossa homenagem ao grande morto, não só pela triste e saudosa lembrança que gravamos em nossa alma, mas também pela firme intenção de continuar a sua grandiosa obra, monumento magnífico duma personalidade genial!João Paulo Rieper
Os Anais Brasileiros publicaram, entre numerosos artigos sobre Colposcopia, dois números especiais (em março de 1950 e setembro de 1955) em homenagem a Hinselmann.
OS PRIMEIROS CONGRESSOS E A EXPANSÃO
1º Congresso Brasileiro de Colposcopia (1964)
A Ata da 4ª sessão ordinária, realizada em 8 de novembro de 1958, iniciou com debates sobre o livro de colposcopia. Em seguida, foi convidado o Dr. Nisio Marcondes Fonseca para falar sobre “Aspectos histológicos das Imagens colposcópicas”. A pergunta fundamental era: há correspondência dos aspectos histológicos com os colposcópicos? A resposta foi não, porque o mesmo aspecto colposcópico pode corresponder a quadros histológicos diferentes. Foram projetadas várias lâminas de casos de leucoplasia que mostravam hiper e paraqueratose e, por debaixo, epitélio atípico da rubrica I e, em outro caso, da rubrica III. O mesmo aconteceu com o mosaico e a base. Afirmou o conferencista que o colposcopista não pode afirmar se uma modificação é maligna ou não, o que somente é possível ao anátomo-patologista. Pediu o Dr. Nísio Marcondes Fonseca que os colposcopistas indicassem com mais precisão o tipo de matriz, nos pedidos de biópsia, em vez de designar o achado clínico rotineiramente como “epitélio atípico”. Na discussão, o Dr. João Paulo Rieper acentuou que “só a histologia poderia fazer o diagnóstico definitivo, a colposcopia levantando as suspeitas, se bem que há vários indícios colposcópicos que deixam maximamente provável a malignidade de certos processos”. Assim, a vascularização atípica combinada com o aspecto da matriz, a tonalidade amarela, o aspecto gelatinoso, o macromosaico etc. já representam grande suspeita e, às vezes, quase certeza de processos malignos. O Prof. Arnaldo de Moraes salientou que a importância da vascularização atípica e da correspondência ou não dos aspectos colposcópicos e histológicos já foi descrita por Hinselmann e encerrou a sessão.
Na busca de nossas raízes, recebemos também a colaboração do Capítulo de Minas Gerais, através do seu Presidente Dr. Garibalde Mortoza, que nos enviou os Anais do 1º Congresso Brasileiro de Colposcopia, realizado em Belo Horizonte, entre 13 e 16 de setembro de 1964. O Presidente, Prof. João Paulo Rieper, homenageou neste Congresso o Prof. Clovis Salgado como Presidente de Honra; foi também realizada homenagem póstuma ao Prof. Hans Hinselmann (1884–1959). O Secretário Geral, Alberto Henrique Rocha, também trabalhou na Comissão de Publicações e Anais. A Comissão Científica foi comandada por Lucas Monteiro Machado, a de Finanças por José Salvador Silva e a Comissão Social por Lucas Viana Machado. Delzio Bicalho presidiu a Comissão de Exposição Científica e Comercial.
A finalidade principal do 1º Congresso Brasileiro de Colposcopia foi a de reunir os colposcopistas brasileiros, para sentirem a sua força e o progresso real da especialidade no nosso país. “Os trabalhos apresentados mostram que esta meta foi plenamente alcançada. Além disso, resultam estímulos para novos trabalhos e podemos aguardar confiantemente o futuro da colposcopia no Brasil”. Dentre os autores que apresentaram trabalhos e conferências neste Congresso, podemos citar: G. Mestwerdt, Alberto Henrique Rocha, Ruy Pimenta Filho, João Paulo Rieper, Hildegard Stoltz, Maria das Mercês Pontes Cunha e F. Victor Rodrigues. Os temas versaram sobre Microcarcinoma do colo uterino, Ectropion congênito, Vantagens e Dificuldades da Colpofotografia, Cervicites e a Junção escamo-colunar na infância e adolescência, entre outros.
4° Congresso Brasileiro de Patologia Cervical Uterina e Colposcopia (1976)
Revista Brasileira de Ginecologia dedicou um número especial (vol. IX – 1977) para os Anais do 4° Congresso Brasileiro de Patologia Cervical Uterina e Colposcopia. Este Congresso, realizado na cidade do Rio de Janeiro, entre 10 e 14 de outubro de 1976, foi considerado “um passo importante na luta contra o câncer do Colo Uterino”. Na ocasião, houve importante participação da Divisão Nacional de Câncer e Ministério da Saúde. O Prof. Alípio Augusto Camelo, Diretor do Instituto de Ginecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ressaltou a importância da criação, em 1948, do Ambulatório Preventivo do Câncer Ginecológico. Divulgada no Brasil, a Colposcopia, pelas mãos de João Paulo Rieper, Presidente do 4° Congresso Brasileiro, contou com a Comissão Organizadora constituída por Leonardo R. Sanches (Vice-Presidente), Nísio Marcondes Fonseca (Presidente da Comissão Científica), Clarice Amaral Ferreira, Paulo Canella (Presidente da Comissão Executiva) e Hélia Maldonado (Comissão de Finanças). Como Presidente de Honra foi homenageado o Prof. Clovis Salgado, além do Prof. José Medina de São Paulo. Como convidados especiais, compareceram o Prof. Erich Burghart, Presidente do 2° Congresso Mundial de Patologia Cervical e Colposcopia, realizado na Áustria em 1975, e o Prof. Adolf Stafl, dos Estados Unidos.
O Congresso contou com a participação de mais de 80 professores (entre eles Paulo Levy Schivartche, Werner Soldan, Manoel Baliú, Ítalo Baruffi, Alberto Henrique Rocha, Mercês Pontes Cunha, Onofre de Castro, Annibal Silvany, Jayme Iglesias, Paschoal Simões, Carlos Alberto Salvatore, Paulo Barros, Ruy Pimenta, Paulo Gorga, Roberto Alvarenga, Emília Rebelo Lopes, Humberto Torloni, José Chaves Meyrelles e Carmen Prudente, entre outros) a quem João Paulo Rieper agradeceu em seu discurso. Na Abertura Solene, realizada no Hotel Glória, estendeu seus agradecimentos à Dra. Hildegard Stoltz, Secretária Geral “eficiente e enérgica, para a qual não há problemas que não resolva facilmente”, e para a Sra. Hilda Rieper (Comissão Social), “a minha cara metade que organizou o programa social e suportou a desorganização, motivada pela instalação da Secretaria do Congresso, na nossa casa”.
Agradeceu, além disso, a ajuda do Banco Real, Pró-Médico, D. F. Vasconcelos, Laboratórios Byk, American Optical, Imbracrios, Soldan e Livraria Manole. Cursos Pré-Congressos foram ministrados pelos Prof. E. Burghart, João Paulo Rieper, José Maria Barcellos e Nísio Marcondes Fonseca. O Prof. João Paulo Rieper, ao encerrar o Congresso, destaca que foi vitoriosa a ideia de que colposcopia, colpocitologia e anatomia patológica do colo formam uma unidade, a Patologia Cervical.
COLPOSCOPIA BRASILEIRA – 49 ANOS DE HISTÓRIA
Por Dra. Isa Mello – Presidente no triênio 2003-2005
Colposcopia é uma técnica que permite ampliação estereoscópica dos tecidos do trato genital inferior. A palavra colposcopia deriva do grego e significa a observação atenta (Skopeo) da vagina (Kolpos), ou através dela.
A técnica não é nova, tendo sido descrita em 1925, na Alemanha, por Hans Hinselmann, e consistia no uso de um aparelho que propiciava iluminação e um pequeno aumento da cérvice. Desde aquele tempo, o uso da colposcopia contribuiu extensivamente para nossa compreensão da fisiopatologia da neoplasia cervical e para o diagnóstico precoce desta condição.
A importância do método colposcópico definiu a criação de várias sociedades no mundo todo, compondo uma federação internacional: a International Federation for Cervical Pathology and Colposcopy (IFCPC), e de uma federação latino-americana, das quais nosso País faz parte.
A primeira Sociedade de Colposcopia instituída no mundo, antes mesmo da alemã, foi a brasileira, fundada no Rio de Janeiro, em 17 de maio de 1958, com o nome de Sociedade Brasileira de Colposcopia, por um grupo de médicos liderados pelo Prof. João Paulo Rieper, discípulo de Hinselmann. Ele aqui esteve inúmeras vezes, prestigiando nossa medicina. Hinselmann acreditou na potencialidade do Brasil, que praticou o método e o difundiu para a América Latina e para o mundo.
Em 1964, realizou-se no Brasil, em Belo Horizonte (MG), o Congresso Brasileiro da especialidade, um dos primeiros, senão o 1º congresso nacional de colposcopia do mundo.
Nossa história mostra a persistência, o interesse científico, o gosto e a dedicação de seus associados. O espírito de pesquisa se mantém vivo nas pessoas que são parte deste grande grupo que é hoje a Colposcopia Brasileira. Discussões e reuniões, congressos e simpósios têm sempre plateia cativa em todo o território nacional. Realizamos 13 Congressos Brasileiros, 9 Simpósios Internacionais e mais de 50 Cursos e Jornadas regionais. Hoje, temos representatividade em 24 dos 27 estados brasileiros. Temos um certificado de qualificação por concurso público que acontece desde 1978 e que já titulou mais de 2 mil médicos.
Participamos ativamente de praticamente todos os programas de câncer de órgãos governamentais e não-governamentais. Somos responsáveis pela parte do tratamento secundário das lesões precursoras do câncer de colo uterino, com treinamento de médicos em colposcopia e em LEEP em todo o País. Participamos da realização do manual para diagnóstico e tratamento das lesões precursoras do câncer de colo, editado em 1998, e do que está sendo elaborado pelo Instituto Nacional de Câncer.
Em 2004/2005, lançamos uma padronização do laudo colposcópico em todo o país e um selo de qualidade a ser distribuído aos médicos titulados. A colposcopia evoluiu ao longo dos anos, passando de um método para diagnóstico precoce do câncer de colo uterino para um exame mais global de todo o trato genital inferior, permitindo o diagnóstico e o tratamento de toda a patologia que abrange esta área, desde as infecções virais como o HPV até as lesões precursoras e o próprio câncer.
A LEI E A NOVA DENOMINAÇÃO
A moderna colposcopia é atualmente definida como o exame de todo trato genital inferior, da vulva ao canal endocervical na sua porção inicial, incluindo-se a exploração do períneo e região perianal. Ela é um método dinâmico. A abrangência conceitual ampliou o exame para Genitoscopia. Desta forma, níveis de competência devem ser avaliados e definidos. Do médico com qualificação profissional nesta área, exige-se conhecimento da fisiologia e patologia do trato genital inferior, bem como a capacidade de correlacionar os dados de citologia e anatomia patológica na decisão diagnóstica e terapêutica.
No Brasil, por força de recente lei, tivemos que alterar a denominação de Sociedade para Associação. A Colposcopia do Brasil, reunida em assembleia de seus pares, alterou estatutariamente seu nome para “ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE GENITOSCOPIA”. A Associação Brasileira de Genitoscopia é a única representante Brasileira da Colposcopia e permanece afiliada à Federação Latino-Americana e à Federação Internacional.
Atualmente, a genitoscopia é difundida e praticada no Brasil de forma ampla, sendo aqui realizados cursos, simpósios e congressos nacionais e internacionais, demonstrando o interesse crescente neste meio de diagnóstico e de investigação, além de importante auxiliar no tratamento das patologias do trato genital inferior.
No dia 08 de junho de 2005, durante a Assembleia Geral da IFCPC realizada no Congresso Mundial de Colposcopia em Cancun (México), por 42 votos a 13, o Brasil foi eleito para sediar o XIV World Congress of Cervical Pathology and Colposcopy, em 2011, na cidade de Salvador. Começamos a trabalhar desde já para o seu sucesso. Presidirá este congresso a Dra. Isa Mello, também eleita naquela ocasião como membro da Diretoria da IFCPC por seis anos.
A Associação Brasileira de Genitoscopia comemora neste ano 49 anos de vida: um longo caminho de muito trabalho cotidiano de vários colegas, profissionais talentosos que dedicam seu melhor esforço para que a Associação siga sempre em frente. Chegamos aos 49 anos de atividades com a cabeça erguida e com muito orgulho da nossa história. Uma somatória de sentimentos e certezas que nos impulsiona a continuar inovando.
Queremos integrar efetivamente todos os colposcopistas brasileiros em torno da Associação Brasileira e transformar a mudança em uma ferramenta de crescimento institucional e profissional. Estamos felizes em comemorar mais um ano de criação da nossa Associação, embora saibamos que muito teremos a empreender. Mas, festejamos com satisfação e com os olhos voltados para o futuro, empenhados em buscar a valorização profissional e uma remuneração justa, enfim, dignificando o ato colposcópico como um exame tão importante na luta contra o câncer ginecológico.