I Fórum ABPTGIC consolida integração entre especialidades no combate ao HPV

I Fórum ABPTGIC consolida integração entre especialidades no combate ao HPV
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Evento realizado em São Paulo, dentro da programação do Março Lilás, reuniu especialistas de referência nacional para consolidar diretrizes sobre a vacina nonavalente contra o HPV. Documento final será apresentado em até 30 dias

O I Fórum ABPTGIC sobre HPV reuniu especialistas de diferentes áreas médicas no Hotel Renaissance, em São Paulo, com o objetivo de discutir estratégias para sustentar e ampliar a vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV). Integrado às ações do Março Lilás, o encontro destacou a importância da articulação multidisciplinar diante dos desafios persistentes relacionados à prevenção das doenças HPV-induzidas.

Na abertura do evento, a presidente da ABPTGIC, Dra. Marcia Fuzaro Terra Cardial, contextualizou o momento: “Março é o Mês da Mulher, tempo de reconhecimento da sua força, da sua história e da sua singularidade biológica e social. Também é o Março Lilás, campanha nacional dedicada à prevenção do câncer do colo do útero — uma doença evitável, rastreável e, quando diagnosticada precocemente, altamente tratável.”

A presidente ressaltou ainda a dimensão global do problema e os impactos da desigualdade no acesso à prevenção: “Globalmente, são registrados cerca de 600 mil novos casos anuais e mais de 300 mil mortes por câncer cervical, com maior impacto em países de média e baixa renda. Sabemos que praticamente 99% dos casos estão relacionados à infecção persistente pelo HPV.”

Segundo ela, embora a incorporação da vacina ao Programa Nacional de Imunizações tenha representado um avanço expressivo, a cobertura ainda está aquém das metas ideais, especialmente na segunda dose e na população masculina — o que reforça a necessidade de atuação integrada entre especialidades.

 

Painel científico e contribuições das especialidades

O painel central, sob coordenação da Dra. Marcia Cardial, reuniu especialistas de referência nacional para discutir a sustentação da vacinação nas diversas especialidades.

A história natural da infecção pelo HPV foi abordada pela Dra. Susana Cristina Aidé Viviane Fialho, presidente da Comissão Nacional Especializada (CNE) de Vacinas da Febrasgo, que contextualizou os mecanismos de persistência viral e progressão para lesões de alto grau.

Na ginecologia, a Dra. Cecilia Maria Roteli Martins, doutora em Medicina pela Unicamp e membro da CNE de Vacinas da Febrasgo, destacou a importância da prevenção secundária e da redução da recorrência após tratamento de lesões intraepiteliais de alto grau.

Representando a área de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço, a Dra. Neila Maria Góis Speck, professora adjunta da Escola Paulista de Medicina e vice-presidente da CNE de TGI da Febrasgo, enfatizou a crescente relevância do HPV na etiologia do câncer de orofaringe e a responsabilidade ativa do especialista na recomendação da vacina.

Na proctologia, o Dr. Sidney Roberto Nadal, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, discutiu estratégias para prevenção do câncer anal, especialmente em populações de maior risco.

A perspectiva da urologia foi apresentada pelo Dr. Roni Carvalho Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (gestão 2026/27), que abordou a saúde masculina e os desafios para ampliar a adesão vacinal entre meninos e homens.

A Dra. Mônica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), trouxe a contribuição da imunologia e saúde pública, enfatizando que as evidências científicas demonstram que populações LGBT+ apresentam alta prevalência de infecção por HPV e maior risco para doenças associadas ao vírus. A ampliação da vacinação, de acordo com a Dra. Mônica, associada ao cuidado clínico inclusivo e estratégias adaptadas de rastreamento desse grupo populacional, representa ferramenta central para reduzir a morbimortalidade associada ao HPV.

Encerrando o painel, o representante da Organização Pan-Americana da Saúde – OPAS, Dr. Renato Kfouri, que também é vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações e membro do comitê técnico assessor do Programa Nacional de Imunizações, propôs uma reflexão integradora sobre os aprendizados compartilhados entre as especialidades e os caminhos para fortalecer a prevenção.

Na segunda etapa do evento, os participantes foram organizados em cinco grupos de trabalho — Ginecologia; Urologia; Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço; Proctologia; e População Vulnerável e Imunização — com a missão de elaborar recomendações objetivas.

Os grupos produzirão um texto conjunto, que será revisado pela relatoria, Dra. Neila Speck, e apresentado em sua versão definitiva em até 30 dias, consolidando um posicionamento institucional robusto e multidisciplinar da ABPTGIC.

 

Prevenção como compromisso institucional

Fundada em 1958, a ABPTGIC tem a prevenção do câncer como um de seus pilares históricos. Ao encerrar o Fórum, a presidente deixou uma mensagem que sintetiza o espírito do encontro: “Que este fórum não seja apenas um espaço de atualização científica, mas um ponto de convergência entre especialidades. Que possamos fortalecer protocolos, ampliar o diálogo interdisciplinar e transformar conhecimento em acesso.”

Dra. Marcia Cardial concluiu reafirmando o propósito da entidade: “Quando ciência, prevenção e colaboração caminham juntas, deixamos de apenas tratar doenças — e passamos a mudar destinos. Porque prevenir é um ato de cuidado.”