Durante entrevista à jornalista Letícia Tristão, no programa da CBN Maringá, transmitido ao vivo em 18 de março de 2026, a presidente da ABPTGIC, Dra. Márcia Fuzaro Terra Cardial, destacou os avanços e desafios na prevenção do câncer do colo do útero no Brasil, reforçando a importância do diagnóstico precoce e da vacinação contra o HPV.
A participação ocorreu no contexto do Março Lilás, campanha dedicada à conscientização sobre a doença, que ainda representa um importante problema de saúde pública no país. Apesar de ser altamente prevenível, o câncer do colo do útero mantém índices relevantes de incidência e mortalidade, sobretudo em regiões com menor acesso aos serviços de saúde.
Segundo a especialista, um dos principais fatores que contribuem para esse cenário é a falha no rastreamento. Muitas mulheres ainda não realizam o exame preventivo regularmente, o que impede a identificação precoce de lesões que poderiam ser tratadas antes de evoluírem para o câncer. “Estamos falando de uma doença que pode ser evitada, desde que haja acesso à informação e aos serviços de saúde”, ressaltou.
O exame citopatológico (Papanicolau) continua sendo uma ferramenta fundamental, mas novas estratégias vêm sendo incorporadas, como o teste de HPV, que apresenta maior sensibilidade e permite detectar o vírus antes mesmo do surgimento de alterações celulares.
No entanto, um dos pontos mais enfatizados pela presidente da ABPTGIC foi a vacinação contra o HPV, considerada uma das estratégias mais eficazes para a prevenção da doença. Segundo ela, quando a vacinação é combinada com o rastreamento adequado, o impacto na redução dos casos é significativo.
Apesar disso, a cobertura vacinal ainda está abaixo do ideal. Dra. Márcia chamou atenção para a persistência de mitos e preconceitos em torno da vacina, que acabam dificultando a adesão da população. “Ainda existe desinformação, e isso gera receio em muitas famílias, o que não se justifica diante das evidências científicas sobre a segurança e a eficácia da vacina”, explicou.
A especialista destacou, ainda, a importância da imunização em idade precoce, antes do início da vida sexual, quando a resposta imunológica é mais eficaz e a proteção mais completa. Nesse sentido, reforçou a necessidade de ampliar a vacinação entre meninas e adolescentes, público prioritário das campanhas de saúde.
“A vacina contra o HPV é uma oportunidade real de prevenção do câncer. Precisamos superar o preconceito e garantir que nossas crianças e adolescentes estejam protegidas”, afirmou.
Além disso, a médica ressaltou o papel dos profissionais de saúde na orientação das pacientes e na promoção do acesso tanto à vacinação quanto ao rastreamento, contribuindo para uma abordagem mais efetiva de prevenção.
Como mensagem final, Dra. Márcia reforçou que o enfrentamento do câncer do colo do útero passa por três pilares fundamentais: informação, vacinação e rastreamento. “É possível reduzir drasticamente a incidência da doença. Para isso, é essencial que mulheres realizem seus exames regularmente e que a vacinação seja ampliada em todo o país”, concluiu.
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