A presidente da Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia (ABPTGIC), Dra. Márcia Fuzaro Terra Cardial, participou, nesta sexta-feira (31), da segunda edição do Fórum Estadão Think Entrelaçados, realizado no Unibes Cultural, em São Paulo. O evento, promovido pelo Estadão Blue Studio com apoio da MSD, reuniu autoridades, representantes de entidades médicas e lideranças da sociedade civil para debater estratégias conjuntas de prevenção, rastreamento e tratamento do câncer de colo do útero — uma doença evitável que ainda vitima milhares de mulheres brasileiras todos os anos.
Dra. Márcia integrou o Painel Estratégias de Rastreamento, ao lado do diretor-geral do INCA, Dr. Roberto Gil, da oncologista clínica Dra. Jurema Telles e da consultora técnica da Coordenação-Geral de Atenção à Saúde das Mulheres, Dra. Hortência Medeiros. A moderação ficou a cargo da jornalista Rita Lisauskas, gerente de conteúdo do Estadão.
Durante sua participação, a presidente da ABPTGIC ressaltou a importância da transição do exame de Papanicolau para o teste de DNA-HPV no rastreamento do câncer de colo do útero, destacando o ganho em sensibilidade e efetividade do novo método. “O teste de DNA-HPV é mais sensível do que a citologia e permite afastar do rastreio as mulheres que não estão sob risco, garantindo o foco e o investimento nas que realmente precisam de acompanhamento”, explicou.
Ela lembrou, porém, que o sucesso da nova estratégia depende da organização da rede de cuidado e da capacitação dos profissionais.
“O INCA foi incrível ao trazer as sociedades médicas para dentro da discussão e elaborar um manual que orienta o ginecologista sobre o fluxo adequado de atendimento. Isso é fundamental para que o novo modelo seja bem-sucedido em todo o país”, afirmou.
A Dra. Márcia também enfatizou o papel da formação continuada dos colposcopistas e o compromisso da ABPTGIC em ampliar a capacitação profissional. “Na minha gestão à frente da ABPTGIC, quero consolidar o treinamento em colposcopia em níveis virtual e presencial. A Febrasgo, por sua vez, tem investido em cursos de cirurgia de alta frequência. Precisamos garantir que o teste, o fluxo e o tratamento estejam alinhados”, destacou, lembrando que, em muitos locais, a autocoleta do teste é essencial para ampliar o acesso de populações vulneráveis, como ribeirinhas, cadeirantes e homens trans.
Ao final do painel, a presidente da ABPTGIC reforçou que o combate ao câncer de colo do útero depende de três pilares interligados — vacinação, rastreamento e tratamento — e defendeu o uso da tecnologia para superar desigualdades regionais. “A inteligência artificial poderá ajudar na análise de exames e apoiar profissionais em regiões com menor acesso a especialistas, garantindo que mais mulheres recebam diagnóstico e tratamento adequados”, afirmou.
O Fórum contou ainda com a participação de Angélica Nogueira (SBOC), Ana Maria Drummond (Instituto Vencer o Câncer), Luiza Trajano (Grupo Mulheres do Brasil), Ana Goretti (PNI), Marlene Oliveira (Instituto Lado a Lado pela Vida), Luciana Phebo (UNICEF), Luciana Holtz (Instituto Oncoguia) e Andréa Paiva Gadelha Guimarães (A.C.Camargo Câncer Center), entre outros convidados.
Com o tema União de esforços para eliminar o câncer de colo do útero, o Fórum reforçou a necessidade de articulação entre governo, sociedade civil e comunidade científica para que o Brasil avance no cumprimento das metas propostas pela Organização Mundial da Saúde: ampliar a cobertura vacinal contra o HPV, garantir rastreamento com exames de alta precisão e assegurar tratamento adequado a todas as mulheres diagnosticadas.
O evento foi transmitido ao vivo pelo canal do Estadão no YouTube e permanece disponível para quem deseja acompanhar as discussões completas. Assista à gravação em: https://www.youtube.com/live/IldAs_Rqu6U.





